
Êxodo 20:4-6:Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.
No segundo mandamento Deus dá uma ordem ao seu povo de não criar nenhuma imagem do Senhor ou daquilo que foi criado pela obra de suas mãos. Além disso o homem não deveria se curvar diante de imagens e esculturas e prestar culto a elas pois eram criação humana feita para roubar a glória do único Deus vivo, coisa que o Senhor reprovava.
Era e ainda é comum para os povos pagãos terem seus ídolos criados para adoração. Na mesopotâmia por exemplo, o panteão continha mais de 1.500 divindades, entre elas os mais cultuados era Marduque, Samás, Istar a deusa do sexo e Nergal, deus da guerra e da caça. O povo cananeu por exemplo era um povo que idolatrava a Baal e Astarte e os rituais envolviam absurdos sexuais em seus cultos, envolvendo orgias e bebidas. Deus então instruiu o seu povo a ser diferente dos demais, a ser um povo separado, proibindo qualquer tentativa de representar Iaweh. A idolatra foi um problema constante do povo de Israel que sempre cultuava a outros deuses e levantava estátuas, despertando a ira de Deus, somente vindo ser fiel ao seu Senhor após o cativeiro babilônico.
Apesar disso, o segundo mandamento não proíbe qual quer tipo de arte, pois o próprio Deus ordenou que a arca da aliança e a tenda possuíssem representações de querubins:
“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório”. – Êxodo 25:18 (ACF)
O apóstolo Paulo na carta aos Romanos também fala respeito da idolatria:
“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis”. – Romanos 1:21-23 (ACF)
O problema da idolatria está muito além dos rituais e das ações humanas, a raiz do mal é o próprio coração humano que busca se inclinar a ídolos. Além disso estamos propensos a cultuar outras coisas além de estátuas, por exemplo: pessoas que admiramos, a própria cultura, ideologias, pastores e líderes, objetos tecnológicos, música, relacionamentos etc. Em todo o momento devemos sondar a nós mesmos para identificar quais são as coisas que estão tomando o lugar de Deus em nossas vidas e voltar o culto ao único Senhor.
Catecismo Maior de Westminster
Pergunta 104. Quais são os deveres exigidos no primeiro mandamento?
Resposta: Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus, e nosso Deus; adorar-lo e glorificá-lo como tal; pensar e meditar nele, lembrar-nos dele, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e temê-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele; ter zelo por ele; invocá-lo, dando-lhe todo louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda a obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de lhe agradar em tudo e tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa; andar humildemente com ele.
Pergunta 105. Quais são os pecados proibidos no primeiro mandamento?
Resposta: Os pecados proibidos no primeiro mandamento são: o ateísmo – negar ou não ter um Deus; a idolatria – ter ou adorar mais de um deus qualquer outro juntamente com o verdadeiro Deus ou em lugar dele; não tê-lo e não confessá-lo como Deus, e nosso Deus; a omissão ou a negligência de qual quer coisa devida a ele, exigida neste mandamento; a ignorância, o esquecimento, as más concepções, as falsas opiniões, os pensamentos indignos e ímpios quanto a ele; a pesquisa audaciosa e curiosa dos seus segredos; toda impiedade, todo ódio a Deus; o egoísmo, o espírito interesseiro e toda aplicação desordenada e imoderada de nosso entendimento, de nossa vontade ou de nossos afetos a outras coisas, e o desvio deste Deus, em tudo ou em parte; a vã credulidade, a incredulidade, a heresia, as crenças errôneas, a desconfiança e o desespero; a resistência obstinada e a insensibilidade sob os juízos de Deus; a dureza de coração e a soberba; a presunção; a segurança carnal; tentar a Deus; o uso de meios ilícitos; a confiança nos meios lícitos; os deleites e prazeres carnais; um zelo corrupto, cego e indiscreto; a fraqueza e o amortecimento nas coisas de Deus; a alienação e a apostasia de Deus; orar ou prestar qualquer culto religioso aos santos, aos anjos ou a qualquer outra criatura; todos os pactos com o diabo; consultá-lo e dar ouvidos às suas sugestões; fazer aos homens senhores da nossa fé e da consciência; fazer pouco caso e desprezar a Deus e os seus mandamentos; resistir ao seu Espírito ou entristecê-lo; o descontentamento e a impaciência com as suas dispensações; acusá-lo estultamente dos males com que ele nos aflige, e atribuir o louvor de qualquer bem que somos, temos ou podemos fazer à fortuna, aos ídolos, a nós mesmos ou a qualquer outra criatura.
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