
Não terás outros deuses diante de mim (Êxodo 20:3)
Quando éramos néscios e insensatos vivíamos a nossa vida de acordo com o que julgávamos correto. Criamos códigos de honra, superioridade, blindamos nosso coração contra o mundo e tudo aquilo que tinha aspecto religioso e não se encaixava em nossa cosmovisão “ateísta” era considerado como banal. Nós vivíamos atolados em nossos pecados, saciando os desejos da nossa carne e não reconhecíamos Deus como senhor e salvador da nossa vida. Éramos como ovelhas desgarradas, perdidas e rebeldes. Nós tínhamos muitos deuses em nossas vidas, relacionamentos, sonhos, pessoas, coisas materiais e entre uma infinidade de “bezerros de ouro”. Então Cristo nos libertou, derramou o seu sangue por nós, retirou toda cegueira e nos perdoou de todos os nossos pecados. Desse momento em diante passamos a confessar ele como o nosso Senhor e Salvador, o único Deus, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o criador do céu e da terra, aquele que é maior dos que os montes mais altos e que está assentado sobre o trono dos céus.
“Hoje, fizeste o SENHOR declarar que te será por Deus, e que andarás nos seus caminhos, e guardarás os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e darás ouvidos à sua voz.” (Deuteronômio 26:17) (ARA)
Hoje os nossos caminhos devem andar sobre observação e analisar quais são os caminhos que estamos andando e se esses caminhos são justos e retos a Deus. Não percorremos por atalhos com insensatez ou por direção própria. O nosso coração busca os caminhos do Senhor. Da mesma forma em nossa caminhada devemos guardar os mandamentos que ele nos deixou para segui-los para obter a vida eterna e buscar o seu favor. Se temos o privilegio de termos sua palavra revelada, então devemos lê-la e meditar sobre ela até que ela crave em nossos corações. Seguindo a tradição reformada, Deus se revela e fala somente através da sua palavra (sola scriptura) e ela é a sua voz aos nossos corações. Hoje confessamos ele como o nosso Deus e temos que cuidar para não cultuar algo finito e criado pelos homens. Ele não divide a sua glória com estátuas imundas, ídolos humanos e mortais ou por práticas pecaminosas que guardamos fundo, nas profundezes dos nossos corações.
“Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.” (Isaías 43:10) (ACF)
Portanto, o primeiro mandamento do decálogo nos instrui a sondar os nossos corações e buscar qualquer altar idólatra que esteja tomando o lugar devido do Senhor e derrubar para que sejamos somente dEle e de mais ninguém.
Catecismo Maior de Westminster
Pergunta 104. Quais são os deveres exigidos no primeiro mandamento?
Resposta: Os deveres exigidos no primeiro mandamento são: conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus, e nosso Deus; adora-lo e glorificá-lo como tal; pensar e meditar nele, lembrar-nos dele, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e temê-lo; crer nele, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nele, ter zelo por ele; invocá-lo, dando-lhe todo louvor e agradecimentos, prestando-lhe toda a obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de lhe agradar em tudo e tristeza quando ele é ofendido em qualquer coisa; andar humildemente com ele.
Pergunta 105. Quais são os pecados proibidos no primeiro mandamento?
Resposta: Os pecados proibidos no primeiro mandamento são: o ateísmo – negar ou não ter um Deus; a idolatria – ter ou adorar mais de um deus, ou qualquer outro juntamente com o verdadeiro Deus ou em lugar dele; não tê-lo e não confessá-lo como Deus, quer coisa devida a ele, exigida neste mandamento a ignorância, o esquecimento, as más concepções as falsas opiniões, os pensamentos indignos e ímpios quanto a ele; a pesquisa audaciosa e curiosa dos seus segredos; toda impiedade, todo ódio a Deus; egoísmo, o espírito interesseiro e toda aplicação desordenada e imoderada de nosso entendimento, de nossa vontade ou de nossos afetos a outras coisas, e o desvio deste Deus, em tudo ou em parte; a vã credulidade, a incredulidade, a heresia, as crenças errôneas, a desconfiança e o desespero; a de resistência obstinada e a insensibilidade sob os juízos de Deus; a dureza de coração e a soberba; a presunção; a segurança carnal; tentar a Deus; o uso de meios ilícitos; a confiança nos meios lícitos; os deleites e prazeres carnais; um zelo corrupto, cego e indiscreto; a fraqueza e o amortecimento nas coisas de Deus, a alienação e a apostasia de Deus, orar ou prestar qualquer culto religioso aos santos, aos anjos ou a qualquer outra criatura; todos os pactos com o diabo: consultá-lo e dar ouvidos às suas sugestões; fazer aos homens senhores da nossa fé e da consciência; fazer pouco caso e desprezar a Deus e os seus mandamentos; resistir ao seu Espírito ou entristecê-lo; o descontentamento e a impaciência com as suas dispensações; acusá-lo estultamente dos males com que ele nos aflige, e atribui-lo louvor de qualquer bem que somos, temos ou podemos fazer à fortuna, aos ídolos, a nós mesmos ou a qualquer outra criatura.
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